Nelson Lustosa Cabral

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DESCENDÊNCIA DE NELSON LUSTOSA CABRAL

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03.00.00.00.00.00 – Nelson Lustosa Cabral
  Esposa: Emerenciana Barbosa Lustosa Cabral
  Filhos:    Nelson, Moacir, Nilse, Mivla e Lélia

 

 

NELSON LUSTOSA CABRAL

 

José Ozildo dos Santos

 

 

O jornalista e homem de letras, Nelson Lustosa Cabral nasceu no ano de 1900, na antiga vila de Patos, no alto sertão paraibano. Foram seus pais Francisco Lustosa Cabral e Maria Dolores Lustosa Cabral. Era, portanto, pelo lado materno, neto do célebre Manoel Romualdo da Costa (‘seu’ Manduri), figura da maior dimensão no folclore patoense, cujo perfil foi traçado pelo renomado folclorista cearense Leonardo Motta.

Em sua terra natal, Nelson Lustosa fez o curso primário, tendo, inicialmente, sido aluno dos professores José Calazans e Pedro Torres da Veiga. E, posteriormente, frequentado o ‘Colégio Leão XIII’, dirigido pelo talentoso padre José Viana. Transferindo-se para a capital do Estado, fez o antigo curso de preparatórios no Liceu Paraibano, de onde saiu para ingressar na tradicional Faculdade de Direito do Recife, onde se diplomou em Ciências Jurídicas e Sociais, em 1921, tendo como colegas de turma, entre outros, os paraibanos Antônio de Vasconcelos Paiva, Ascendino Cândido das Neves Filho, Osvaldo Caldas e Pedro Anísio Maia, futuro desembargador.

Antes de concluir o curso superior, na capital paraibana, Nelson Lustosa apoiado pelos jornalistas Oscar Soares, Celso Mariz e Carlos Dias Fernandes, escreveu para os jornais ‘A União’ e ‘O Norte’, tendo ainda trabalhado como datilógrafo na Assembleia Legislativa.

Amante do futebol, ao lado de Antenor Navarro, Mário Pedrosa e Olinto Jácome, participou da fundação da ‘Liga Desportiva Paraibana’, em solenidade realizada na redação do jornal ‘O Norte’, no dia 3 de maio de 1919. No ano seguinte foi aclamado presidente da Associação dos Cronistas Desportivos da Parahyba (a primeira entidade do gênero no Estado), quando de sua fundação ocorrida no dia 13 de junho de 1920.

Diplomado, retornou à sua cidade natal, a fim de rever seus pais e amigos. Na ocasião, teve uma recepção carinhosa, ao som da banda de música local. Este fato, muito sensibilizou o futuro homem de letras, que emocionado, afirmou não teve palavras para agradecer ao gesto de seus conterrâneos e amigos.

Fixando-se João Pessoa, Nelson Lustosa dedicou-se ao jornalismo e à advocacia. Inicialmente, foi redator de ‘A União’, jornal estatal do qual foi seu diretor nos períodos de 05 de março de 1925 a 22 de outubro de 1928, e, de 11 de junho de 1929 a 27 de fevereiro de 1930. Secretario efetivo da Imprensa Oficial, posteriormente, integrou o primeiro corpo de redatores de ‘O Norte’. Antes, porém, em 1922, editou o ‘Almanaque da Paraíba’.

Anos mais tarde, já casado, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde se abrigou à sombra do ilustre escritor e político José Américo de Almeida, de cuja personalidade, por muito tempo, foi uma espécie de secretário particular.

A convite do talentoso Vitor do Espírito Santo passou a atuar na imprensa carioca, escrevendo para as páginas d‘O Jornal’, matutino que integrava a cadeia dos diários associados. Em 1962, através da Linográfica Editora Ltda. (São Paulo-SP), publicou seu primeiro livro: ‘Paisagens do Nordeste’, cuja edição de 5000 exemplares, foi totalmente revertida em benefício da ‘Ofensiva Contra o Câncer’, orientada e controlada pelo antigo Serviço Nacional do Câncer.

Bastante elogiado pela crítica da época, ‘Paisagens do Nordeste’ foi definido como “um livro que é um poema da vida”, por retratar fielmente a memória da terra nordestina. Nele, o autor, condensa “o modesto depoimento de um pau-de-arara dos sertões da Paraíba que, sem nada, se largou, já pai de filhos” para as bandas do Sudeste. Prefaciando-o, o escritor Eugênio Gomes observou: “paisagens, árvores, rios, bichos, estradas, casas, templos, jogos e passatempos, cenas da seca, bem como do tempo da fartura, tudo isso que se incorpora às agrestes vivências de um nordestino, está fixado de maneira impressiva neste esplêndido livro de memórias fragmentárias, mas suficientes para dar uma forte imagem do passado ao autor”.

Com ‘Paisagens do Nordeste’, Nelson Lustosa “quebrando formas consagradas, criou uma narrativa toda pessoal, introduzindo, dentro dela, o diálogo intercalado sem alterar o ritmo da narração e a continuidade do enredo”. Por essa primazia, mereceu elogios louváveis do sociólogo Gilberto Freire, que, de Paris, por carta ao talentoso escritor patoense, expor:

“Quanto coisa há no seu livro – ‘Paisagens do Nordeste’ (…). Encontrei nas suas páginas rostos queridos, presenças grandes no meu afeto.

Agrada-me seu jeito simples, direto, de narrar. Sob sua naturalidade vejo o homem que sentiu, que pensou. Sua leveza é a de quem disfarça o muito que sabe.

No ambiente estrangeiro, aqui, na distância, agarro-me com o seu livro, respiro ar que me grato. Paris, 11-07-1962”.

‘Garganta do Esqueleto’, publicado no Rio de Janeiro, em 1965, foi o segundo livro de Nelson Lustosa. Como o primeiro, foi bem aceito pela crítica e surpreendeu o mundo literário, “com a originalidade do sub-diálogo dentro do diálogo central da linha da narração, sem cortar nem destorcer o fio natural da prosa, mesmo enrolando na cena três, quatro e cinco personagens”. E, constituindo-se numa “inovação evidentemente das mais interessantes”, por ele incorporada “à técnica da narrativa no romance em todos os tempos”.

Definido como “um romance de código de honra doméstica e de costumes sertanejos”, a segunda tentativa literária de Nelson Lustosa “é um romance regionalista que apreende o típico, o característico, sem perder, contudo seu valor como discurso literário, devido a certas inovações a nível de linguagem”.

Espírito culto e envolvente, possuidor de uma linguagem limpa e pura, escrevendo, Nelson Lustosa revelou-se um dos maiores escritores da Paraíba, tornando-se nacionalmente conhecido, colocando-se ao lado dos grandes nomes da literatura pátria. Natural, desartificioso e simples, ele fazia-se entender, escrevendo no português do Nordeste, transmitindo de forma esplendida e verdadeira, a beleza do sertão. Para o crítico paulista Paulo Dantas, foi ele um sociólogo que a Paraíba, de forma abençoada, deu ao Brasil.

Em 1966, publicou ‘Uma Cruz para Kennedy’. Fruto da “efervescência de uma época de profundas mudanças no comportamento social”, o terceiro livro desse ilustre patoense é um drama “construído a partir de um diálogo em que as falas se misturam, sem conseguir uma individualização das duas personagens – o anjo e o homem – igualmente perplexos diante dos rumos que toma a humanidade. O anjo, o Presidente Kennedy, se junta aos jovens cabeludos que se manifestam ‘como sinais de fim de tempo’, associando a decadência e degradação do mundo à falta de fé cristã”.

Segundo os críticos, ‘Uma Cruz para Kennedy’, último livro publicado por Nelson Lustosa, “reflete uma época conturbada por mudanças profundas no comportamento do homem e buscas constantes na sociedade”.

Eleito membro da Academia Paraibana de Letras, Nelson Lustosa Cabral empossou-se no dia 9 de dezembro de 1967, oportunidade em que foi recepcionado pelo acadêmico Luís Pinto. Em seu discurso de posse, “movido de amor telúrico”, “esmiuçou a obra do autor de ‘Soluços de Realejo’ como quem abre, de repente, uma caixa de música ou estanca, de súbito, ante um canteiro de rosas”, pois, “o estilista de ‘Paisagens do Nordeste’ não escreveu um discurso de posse nem um ensaio. Escreveu um livro – ‘Américo Falcão’, reunido o seu e o trabalho de Luiz Pinto”, que o recebeu em nome da Academia Paraibana de Letras.

Editor do Almanaque da Paraíba, patrono da cadeira nº 16, do Instituto Histórico e Geográfico de Patos, Nelson Lustosa Cabral faleceu no dia 19 de julho de 1981, no Rio de Janeiro, aos oitenta e um anos de idade. De sua união conjugal com a senhora Emereciana Barbosa Lustosa Cabral (Dona Neném), nasceram os seguintes filhos: Nelson, Moacir, Nilse, Mivla e Lelia.

Figura de grande valor na literatura paraibana, o Conselho Estadual de Cultura prestou-lhe significativa homenagem póstuma, cabendo ao escritor Osias Gomes fazer o elogio a sua personalidade. Homem simples, “tinha para todos e para tudo, um sorriso, uma palavra amiga, um gesto de encorajamento, uma atitude de fraterna compreensão”. Jamais traiu o seu espírito de cordialidade e “a sua mão nunca chegou a ser dada senão ao aperto leal, firme, sem tergiversamentos, como foram sempre pautados todos os seus atos, em meio ao conflito das competições humanas”.

Nelson Lustosa foi sincero, leal, resoluto, voluntarioso. De atitudes serenas, porém definidas, gastou a sua mocidade e grande parte de sua idade madura, escrevendo para jornais e revistas, dentro e fora de sua Província.

Como jornalista, era imparcial. Possuía um estilo límpido e uma cultura polimorfa. Homem de muitas leituras, de muitas viagens, escrevia sobre os mais variados assuntos, sempre com segurança e propriedade. Lamentavelmente, grande parte de sua obra literária encontra-se dispersa em jornais e revistas, publicados na Paraíba e no Rio de Janeiro, aguardando para ser coletada e coligida em merecidos volumes. Sem dúvida, prestaria um grande serviço à Paraíba que se desse a esse trabalho.

 

 

 

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01.00.00.00.00.00.00 – Nelson Lustosa Cabral Filho
   
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01.01.00.00.00.00.00 – Célia Maria Lustosa Haiek
  Esposo: Jorge José Haiek
  Filhos:    Sara, Guilherme e Henrique
   
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02.00.00.00.00.00.00 – Moacir Lustosa Cabral
   
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03.00.00.00.00.00.00 – Nilse Lustosa Cabral
   
   
   
01.01.01.02.08.05.03.  
04.00.00.00.00.00.00 – Maria Mivla Lustosa Cabral.
  Esposo: Augusto Lima
  Filhos:    Márcia  e  Abelardo
   
01.01.01.02.08.05.03  
04.01.00.00.00.00.00 – Márcia Lima
  Esposo: Ronaldo Ramos
  Filhos:    Marcos e Fábio
   
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04.01.01.00.00.00.00 – Marcos Lima Abreu Ramos
  Esposa: Maria Clara Rebouças
  Filhos:    Teodoro