Introdução

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GENEALOGIA DOS LUSTOSA CABRAL NO BRASIL
E SUA LOCALIZAÇÃO EM PATOS – PARAÍBA

 Alfred Lustosa Cabral

Antônio dos Santos, nascido na Várzea, Pernambuco, filho de Maximiano dos Santos e de Arcângela Soares e casado com Francisca Joana do Espirito Santo, filha de André Garros da Câmara e Maria Ferreira do Ó, depois de grandes negócios de açúcar em Goiana, que foi naquele tempo na exportação do produto para Portugal um grande empório, empreendeu uma excursão pelos Estados do Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Paraíba.

Ao chegar no vale das Espinharas em Patos (Paraíba), ficou encantado com os  campos apropriados à indústria pastoril. Tratou logo de fazer aquisição de largas faixas  de terra onde constituiu numerosa família. Sua descendência espalhou-se pelo Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Bahia.

Com a aquisição de terras que fez Antônio em Patos, procurou situar uma fazenda  que lhe deu o nome de “Serrota”, por ser bem próxima de um formoso monólito (hoje Espinho Branco), situado à margem do rio  Cruz, a uma légua da atual cidade de Patos, naquele tempo insignificante povoado.

Quatro Lustosa desse casal uniram-se por laços matrimoniais com quatro moças da família Cabral de Icó, estado do Ceará, e passaram a residir em varias partes dos    sertões, emigrando uns para o Piauí, outros  para o Ceará. Tanto que, no Piauí, surgem vultos notáveis como os Barões Antônio e José e seu irmão João Lustosa da Cunha, mais tarde Marquês de Paranaguá, considerado uma das relíquias na história do    Segundo Império.

O Marquês de Paranaguá, quando esteve como Presidente da Província de Pernambuco, de agosto de l865    a março de l866, escreveu aos parentes dos sertões      das Espinharas, na Paraíba, desejando conhecê-los.  O Capitão Antônio de Oliveira Cabral em companhia de uns dois ou três parentes seguiram a cavalo até Recife e ali chegando foram hóspedes em Palácio e tratados fidalgamente.

Mais tarde apareceram da mesma estirpe o Dr. João Cabral, ilustre figura no parlamento nacional como deputado pelo Piauí, que foi professor na Faculdade de   Direito do Rio de Janeiro e notável advogado.

O desembargador Luiz Cabral, em Manaus – AM.

Tentaremos, neste pequeno esforço, ocupar-nos, apenas, de JOÃO FERREIRA LUSTOSA, um dos quatro filhos de Antônio, que se entrelaçaram com os Cabral de Icó, Estado do Ceará. Casou-se João Ferreira Lustosa com Vicência Cabral, indo residir na fazenda      Serrota junto aos seus pais e sogros, isto pelo começo do século XIX, mais ou menos.

Conta-se que Vicência era bastante altiva, resoluta nos seus atos, de gênio forte, intrépida, matrona  respeitável pelo seu porte e atitudes, verdadeira antítese do marido que era pacato, manso, etc.

Eram pessoas de grandes recursos, senhores de vastos latifúndios, muito serviçais e religiosos de     convicção.

De seu matrimônio com João Ferreira Lustosa houve quatro filhos.

Era Vicência, como se diz, dessas mulheres que governam o marido.

Enviuvou ainda jovem. Gozava de grande conceito na ribeira de Patos e contava   com um elevado contingente de amigos, prontos para o que desse e viesse. Tinha predileção de mando.  Na política de então, nada se resolvia em Patos, sem que não   fosse ela primeiro consultada.  Sempre que se feria um pleito comparecia às urnas com seus cinquenta ou sessenta eleitores que, no recinto da igreja de Nossa Senhora   da Conceição, onde se realizava a eleição, votavam de “cruz” no candidato do partido     amigo. Jamais alguém lhe bateu à porta para não ser atendido e por esta razão sua fama e prestígio irradiavam-se a setores afastados.

Certa ocasião passava por sua fazenda Serrota um indivíduo preso das bandas do Piancó e os soldados ao penetrarem no terreiro da fazenda a vitima gritava: “valei-me    Dona Vicência da Serrota”, como era assim conhecida.

O seu busto de mulher forte assomou à janela e fez sinal para o comandante da tropa.

Este se aproximou e em poucas frases narrou a missão de que se achava  incumbido.

Vicência, penalizada com a situação do preso, pediu, insistiu, rogou para que o soltasse. Não era possível atendê-la… O oficial passou a explicar os motivos recomendados sobre o sentenciado, de maneira a não ser por modo algum satisfeito o pedido de Vicência.

Em vista do impasse, ela mandou imediatamente preparar condução e acompanhou  a tropa à metrópole da Província e ali conseguiu livrar e trazer para o sertão o seu protegido.

Com este gesto de altivez e nobreza de sentimentos que bem caracterizavam as grandes almas, contava Vicência avultado número de admiradores e também alguns detratores.

A corrente política adversa, nesse tempo, infiltrara nas camadas supersticiosas que Vicência tinha qualquer coisa com o demônio porque conseguia o que desejava.  Chegaram mesmo a propalar que quando morreu nem a terra lhe consumira as carnes, sendo o seu cadáver atirado em determinadas frinchas do serrote do Espinho Branco, próximo a sua fazenda Serrota.

Ainda hoje há quem acredite nessa história contada ao sabor do tradicionalismo, mas que em realidade não passa de lenda.

Para prova de que Vicência era de excelentes dotes de coração e ardente religiosa, basta vermos o interesse que teve com o sentenciado acima referido e sabermos que a imagem de Nossa Senhora da Conceição existente na Igreja da Conceição da cidade é oferta dela e do marido.

De seu casamento com João Ferreira Lustosa, houve quatro filhos: ROSA, VICENCIA, ANTÔNIA e   JOAQUIM FERREIRA LUSTOSA.

ROSA – Era de estatura baixa, caridosa, de bons recursos financeiros e de vocação poética.

Certa ocasião recebeu, no seu sítio Santa Rosa, município de Teixeira a visita de  uma  pessoa  amiga.   Saiu  Rosa  com  o  visitante  a  passear   por  um  lindo  pomar   de Fruteiras variadas que possuía numa baixa do roçado Em certa altura notou Rosa que  sua companheira colhia aqui e ali pequenos frutos ocultando-os, cautelosamente.

Rosa não se contendo soltou um dos seus improvisos:

Eu bem vejo com meus olhos

Que você está me ofendendo

Porém faço que não vejo

É mundo, vamos vivendo.