Gregório Ferreira Lustosa

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GENEALOGIA DOS LUSTOSA CABRAL NO BRASIL
E SUA LOCALIZAÇÃO EM PATOS – PARAÍBA

GREGÓRIO GEREIRA LUSTOSA

01.01.04.01.00  Gregório Ferreira Lustosa (nasceu em 1.818 em Patos – PB.).
Obs.: Vigário de São José de Mipibu, no Rio Grande do Norte.

CÔNEGO GREGÓRIO FERREIRA LUSTOSA:

O PRIMEIRO SACERDOTE PATOENSE

José Ozildo dos Santos

Em 1818, nasceu na povoação de Patos, um menino que levado a pia batismal, passou a chamar-se Gregório, após receber os sacramentos das mãos do padre Antônio da Silva Costa, vigário da Freguesia. De tradicional família de camponeses, Gregório Ferreira Lustosa era filho do casal Joaquim Ferreira Lustosa e Apolônia Ferreira Lustosa, aqui viveu sua infância e tinha sete anos de idade, quando frei Joaquim do  Amor Divino Caneca e outros líderes confederados aprisionados, passou por Patos, no dia 7 de dezembro de 1824 e foi hóspede do vigário local  Vocacionado para o sacerdócio, após concluir o curso primário em sua Província, ingressou no tradicional Seminário de Nossa Senhora da Graça, sediado em Olinda, onde fez seus estudos básicos e superiores. Ordenado aos 18 de fevereiro de 1842, tornou-se o primeiro sacerdote nascido na futura cidade de Patos, bem como o primeiro patoense a ter um diploma de curso superior.

Seis dias após sua ordenação, o jovem padre Gregório Ferreira Lustosa, por provisão assinada por dom João da Purificação Marques Perdigão  – bispo de Olinda, de quem recebera a sagrada ordem do presbiterato  –  foi nomeado vigário encomendado da Freguesia de Nossa Senhora Santana, sediada na próspera Vila de São José de Mipibú, na vizinha Província do Rio Grande do Norte. Em meados de 1844, após aprovação em concurso, tornou-se vigário colado da freguesia sob sua regência, cargo que ocupou sem interrupção, por mais de cinqüenta anos, falecendo no exercício do referido vicariato.

Homem inteligente e cheio de planos, em São José de Mipibú, onde foi um elemento de destacado valor no progresso local, desenvolveu uma ação pastoral digna de registro. Demoliu grande parte da Igreja Matriz (1853), visando ampliá-la para melhor acomodar seus fiéis, dirigindo pessoalmente todo o trabalho, para o qual angariou fundos junto à população local e ao governo da Província, tendo conseguido dos cofres públicos a importância de 1.300$000 (um conto e trezentos mil réis). No final, os referidos trabalhos (que consumiram a elevada cifra de 4.216$990), tornaram a Igreja de São José de Mipibú uma das mais amplas do Rio Grande do Norte.

Prestigiadíssimo em sua freguesia, o padre Lustosa – como era popularmente conhecido – ingressou

na política, elegendo-se deputado provincial, para a legislatura de 1868-1869, pelo Partido Liberal.

Durante a terrível seca de 1877-1879, integrou a Comissão de Socorros Públicos, organizada naquele município, prestando relevantes serviços à população local, sendo, mais tarde, distinguido com o título de cônego honorário da Capela Imperial e agraciado com a comenda de Cavaleiro da Ordem da Rosa, por decreto assinado pelo Imperador Pedro II.

Por duas vezes, na condição de pró-pároco, nos períodos de 1842 a 1843 e de 1848 a 1849, regeu a Freguesia de Papari, atual cidade de Nísia Floresta. Em outubro de 1882, foi nomeado pelo Dr. Francisco de Gouveia Cunha Barreto, Presidente da Província do Rio Grande do Norte, para presidir uma comissão formada para socorrer e prestar auxílio às vitimas da epidemia de varíola, que assolou a cidade de São João de Mipibú.

Sacerdote dedicado, em princípios de setembro de 1882, o cônego Lustosa recebeu em sua freguesia a visita episcopal de dom José Pereira da Silva Barros, bispo de Olinda – a cuja Diocese, à época, era subordinada o Rio Grande do Norte  – oportunidade em que recepcionou aquele prelado com uma multidão calculada em 4.000 pessoas. Encantado com tão calorosa recepção, o futuro bispo do Rio de Janeiro, publicamente fez os mais significativos elogios à pessoa do ilustre sacerdote patoense, conforme registrou um jornal natalense da época.

Cronologicamente, além de ter sido o primeiro sacerdote nascido em Patos e o primeiro a conseguir um diploma superior, o cônego Lustosa foi também uns dos primeiros patoenses a ascender ao Legislativo Provincial. Pois, exerceu o mandato de deputado provincial, no Rio Grande do Norte, durante a legislatura de 1868-1869. Ademais, foi o único filho da capital das Espinharas a receber a comenda de Cavaleiro da Ordem da Rosa, um dos mais significativos títulos concedidos no Império.Homem de conduta exemplar e bom filho  trouxe para sua companhia, sua mãe, já velha e viúva, que faleceu em São José de Mipibú e foi sepultada no interior da Igreja Matriz local, onde, ainda hoje lê-se numa lápide tumular: “à memória de D. Apollonia Ferreira Lustosa, falecida a 8 de novembro de 1865, mandada erigir em signal de amor maternal por seu filho o Reverendo Cônego Gregório Ferreira Lustosa, Vigário desta freguesia. Requiescat in pace”.

Durante seu vicariato, em São José de Mipibú, no período de 1870 a 1875, o cônego Lustosa foi auxiliado por seu sobrinho, o padre Vicente Ferreira Lustosa Lima, que deixando o Rio Grande do Norte, fixou-se no Rio de Janeiro, onde exerceu seu sacerdócio e foi agraciado com o titulo de monsenhor.

Posteriormente, teve como coadjutor o padre Antônio Xavier de Paiva, que lhe substituiu na regência da referida freguesia e assistiu-lhe em seus últimos momentos, ministrando-lhe os sacramentos da extrema unção.

Seu irmão, de nome Bernardino Ferreira Lustosa também abraçou o sacerdócio. Distinguindo com o título de monsenhor, exerceu seu ministério em algumas cidades do Rio Grande do Norte e depois se transferiu para o Ceará, onde foi vigário de Fortaleza.

O cônego Gregório Ferreira Lustosa, “conservava moralmente a consciência da graduação eclesiástica”. Fisicamente, era de boa estatura e forte. Teimoso, alegre e sereno, passou quase 30 anos reformando sua Igreja, melhorando-a, embelezando-a e  transformando numa sólida construção de reconhecido valor artístico. Ainda por sua iniciativa, em 1880, a referida Igreja Matriz ganhou duas torres.

Anos mais tarde, auxiliado por seus paroquianos, comprou o relógio que por mais de seis décadas, decorou o frontão daquele belo templo católico. Toda a sua vida sacerdotal foi desenvolvida em São José de Mipibú, onde faleceu no dia 10 de agosto de 1894, aos 76 anos de idade. Seu corpo, acompanhado por um grande número de fieis, foi levado ao cemitério público daquela cidade, onde foi sepultado na manhã do dia seguinte.

Identificadíssimo com seus paroquianos, a morte do cônego Lustosa causou grande tristeza, principalmente no seio da pobreza local, que o tinha como um pai e guia espiritual. Na época, um jornal natalense, traçando o perfil desse ilustre sacerdote patoense, expôs: “coração bem formado, e uma honradez a toda prova, filho dedicado da Igreja, deixou a Terra para ir gozar no Céu. Cônego da Capela Imperial e Comendador da Ordem da Rosa. Respeitado por suas qualidades não se poupando em levar o conforto aos infelizes, era sua almejação à causa que abraçara e seu trato íntimo era finalmente ser pároco de uma freguesia populosa pelo o longo espaço de 52 anos e não ter deixado um só desafeto”.

Artigo publicando no Jornal ‘A Voz do Povo’, Ano VIII, nº. 86, Patos – PB, edição de maio de 2004