Alfredo Lustosa Cabral

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DESCENDÊNCIA DE ALFREDO LUSTOSA CABRAL

01.01.01.02.01.10 – Alfredo Lustosa Cabral
  Esposa: Josefa Lustosa Cabral – Dondon (01.01.01.02.05/05), filha de José

               Thomaz de Oliveira Cabral e Anna Lins de Oliveira Barros

  Filhos:     Anatildes, Maria Nazaré, Benedito, José Tomás
                  Francisca e Pedro
   

ALFREDO LUSTOSA CABRAL

José Ozildo dos Santos

Patoense dos mais ilustres, o professor Alfredo Lustosa Cabral nasceu a 14 de janeiro de 1883. Era filho do casal Silvino Lustosa Cabral e Maria de Azevedo Cabral. Sua mãe foi a primeira professora da cadeira do sexo feminino, na Vila de Patos e com ela, o pequeno Alfredo aprendeu as primeiras letras.

Órfão ainda muito jovem, passou a viver sob a responsabilidade de seu irmão mais velho Antônio Cabral. E, tinha quatorze anos de idade, quando em meados de 1897, chegou à vila de Patos, “vindo das plagas amazônicas onde passara cinco anos”, seu outro irmão Silvino Lustosa Cabral, trazendo “no bolso uns gordos cobres que arranjara por lá com ingentes sacrifícios”.

Cedo, o jovem Alfredo encantou-se com as narrativas de seu irmão aventureiro, que era conhecido como um dos melhores cantadores de modinha, em sua terra. E desejou conhecer aquele paraíso exótico. Convidado, resolveu acompanhar Silvino, em seu regresso à região amazônica. No entanto, enfrentou forte resistência em sua família. O próprio Alfredo Lustosa, referindo-se a essa fase de sua vida, afirmou: “resisti heroicamente alegando não ter mãe nem pai. Vivia sob os cuidados de irmãos. Assim tanto podia morar com um como com outro, todos eram iguais”.

A partida de Patos, deu-se em princípios de setembro daquele ano de 1897. Agregados a um comboio, os irmãos Lustosa seguiram para Timbaúba de Mocós (atual cidade de Timbaúba-pe), ponto terminal da via-férrea, que ligava o sertão pernambucano ao Recife.

Naquela capital, permaneceram por alguns dias, aguardando o vapor ‘Pernambuco’, que ali chegou “cheio como lata de sardinha”, pois, “em seu bojo conduzia os remanescentes do 27º Batalhão da Paraíba que havia tomado parte na campanha de Canudos, de Antônio Conselheiro, na Bahia”, trazendo seus porões, “abarrotados de feridos, mutilados, esfarrapados”.

A bordo daquele vapor, o jovem Alfredo Lustosa conheceu os horrores de uma ‘guerra’ travada entre seus compatriotas. No percurso do Recife à Cidade da Paraíba (atual João Pessoa), desfrutou da companhia do jovem e simpático soldado Belize, natural de Guarabira, ferido em batalha contra os jagunços do Conselheiro. Daquele praça, recebeu a notícia de que o sargento Antônio Sátyro e Sousa (irmão de Miguel Sátiro, futuro líder político de Patos), havia falecido em combate.

Observador atento, o futuro homem de letras registrou em sua memória todas as cenas de sua viagem até o Amazonas. E, anos mais tarde, narrou-as em livro.

Seu irmão Silvino Lustosa, era proprietário do seringal ‘Redenção’, no alto Juruá, nas proximidades da antiga e inóspita Vila Seabra, atual cidade de Tarauacá, no Acre. Por dez anos, Alfredo Lustosa ali viveu trabalhando como seringueiro. Mas, pouco ou quase nada conseguiu como ‘soldado da borracha’ e resolveu regressar à sua terra natal.

Em 1907, retornando à Paraíba, fixou-se na capital do Estado, onde reiniciou seus estudos e cinco anos mais tarde, diplomando-se pela Escola Normal. Em princípios de 1913, foi nomeado pelo presidente Castro Pinto, para ocupar o cargo de professor da cadeira de instrução masculina, na cidade de Patos.

No exercício das referidas funções, cedo revelou-se um educador talentoso, demonstrando que herdara da mãe os pendores pela cátedra, lecionando por três longas décadas. Por suas mãos, passaram diversos jovens talentosos, que projetaram-se nos mais variados segmentos da vida profissional, dentro e fora dos limites da Paraíba. Sem menosprezar os demais, podemos citar Otacílio Nóbrega de Queiroz, Ernani e Clóvis Sátiro, dom Fernando Gomes dos Santos, Severino Aires de Araújo, Lauro Queiroz, Hilton Vieira Arcoverde e Luís Torres Wanderley.                 Homem simples, Alfredo Lustosa era um músico nato. Tocava vários instrumentos musicais e possuía uma grande paixão por valsas. Além de suas funções como professor, por algum tempo, ocupou o cargo de promotor público adjunto da Comarca de Patos (1940-1941).

Antes, porém, havia cursado o primeiro ano do curso de Ciências Jurídicas e Sociais, na Faculdade de Direito de Salvador, na Bahia. Diversas foram as dificuldades pessoais, que não permitiram-lhe a continuação do referido curso, em terra tão distante. Contudo, tinha vocação advocatícia. Orador influente, atuava com destaque perante o Tribunal do Júri e notabilizou-se por sua participação no caso da menor Francisca, barbaramente assassinada no município de Patos, em finais de 1923.

Em 1934, iniciado o processo de reconstitucionalização do país, Alfredo Lustosa filiou-se ao Partido Progressista, fundado e dirigido no Estado por José Américo. E, nas eleições realizadas aos 09 de setembro do ano seguinte, elegeu-se vereador, tendo como companheiros de bancada, na Câmara Municipal de Patos, Pedro Caetano dos Santos, Abílio Wanderley e Pedro da Veiga Torres.

No entanto, no dia 10 de novembro de 1937, teve seu mandato prejudicado pelo Golpe de Estado Novo, que determinou a dissolução do Congresso Nacional, das Assembléias, e, conseqüentemente, de todas as Câmaras Municipais.

Aposentado do serviço público como professor, Alfredo Lustosa retomou seus estudos. E, quando muitos estavam encerrando suas vidas, ele ingressou na Faculdade de Odontologia, no Recife, onde diplomou-se cirurgião dentista em finais de 1932. Volvendo à cidade de Patos, instalou sua clínica dentária e durante anos, serviu ao seu povo com profissionalismo, zelo e dedicação.

Homem íntegro, de coração grande e bom, “depois da aventura no Amazonas, viveu preso ao círculo de sua morna cidadezinha da época”. Casado com a senhora Josefa Lustosa Cabral, sua prima, nasceram dessa união os seguintes filhos: Anatildes, Maria Nazaré, Benedito, José Tomás, Francisca e Pedro Lustosa Cabral.

Conservador, o professor Alfredo vestia-se sempre um elegante fraque, assim comparecendo a todas as comemorações cívicas ou religiosas da cidade, mesmo debaixo de temperaturas acima de 30º C. Esse seu comportamento, ganhou um leve toque de humor, sendo frequentemente noticiado nos jornais editados durante a ‘Festa de Setembro’, fato que o levou a mudar o modo de vestir.

Espírito versátil, Alfredo Lustosa Cabral faleceu na cidade de Patos, aos 31 de dezembro de 1960. Jornalista exímio, durante muito tempo foi correspondente de ‘A União’ e do jornal ‘A Imprensa’, ambos editados na capital paraibana. Em Patos, colaborou no ‘Jornal do Sertão’, que circulou de 1914 a 1916 e, numa segunda fase, de 1925 a 1926. Nesse último jornal, publicou um importante estudo sobre a imprensa patoense, abordando com grandes detalhes os periódicos que circularam na ‘Cidade Morada do Sol’, no período de 1914-1925.

Em 1949, publicou o livro ‘Dez Anos no Amazonas’, que foi prefaciado pelo deputado Otacílio Nóbrega de Queiroz, seu ex-aluno e, que à época, ocupava a 2ª Secretaria da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa da Paraíba. Bastante elogiado pela crítica da época, o referido livro, segundo José Lins do Rego, impressiona quando “faz referência aos contatos dos supostos civilizados com os pobres índios perseguidos e roubados como se fosse na selva que Deus lhes deu uns intrusos”, pois, seu autor, “de suas aventuras, dos seus contatos com a terra, a gente, os índios, as superstições, e, sobretudo, da sua própria vida de caçador do ouro negro, dá-nos um depoimento curioso, cheio de incidentes, numa língua ora simples, ora preciosa, mas quase sempre cheia do maior interesse”.

Em ‘Dez Anos no Amazonas’, na observação do crítico paraibano A. de Rocha Barreto, “o autor é o personagem máximo de um drama sentido e vivido” e que “sobreviveu para dizer, por miúdo, o que viu e as atribulações por que passou”. Entretanto, “para o homem comum, no gênero, o livro de Alfredo Lustosa Cabral deve ser talvez o melhor que se escreveu até hoje”, pois, “é um trabalho tão interessante para esta região, que merece ser divulgado por toda a parte”.

Em Patos, o professor Alfredo Lustosa vivia contando a história de sua vida no Amazonas nas salas de aulas, nas rodas de amigos, no meio familiar. Foi, portanto, graças ao incentivo dado pelo jornalista e político Otacílio Queiroz, que ele resolveu condensar em livro sua vivência naquela região exótica. Livro este, que “com um pouco mais de apuro, poderia figurar entre as obras mais valiosas nos domínios da História, em função da índole e da resistência do povo nordestino”.

Num só homem, a cidade de Patos, conheceu o seringueiro, o professor dedicado, o orador talentoso, o músico, o promotor público atuante, o vereador, o homem de letras e o cirurgião-dentista da pobreza. Possuidor de “uma vocação de historiador-narrador, dedicado à terra natal”, ao falecer, o Dr. Alfredo Lustosa deixou inédito o livro ‘Patos’, no qual, numa linguagem simples, mas bem trabalhada, aborda os aspectos históricos e geográficos de seu município.

O referido livro, em janeiro de 1945, foi prefaciado pelo renomado historiador Coriolano de Medeiros e embora tenha tido sua publicação prometida pelo poder público patoense em 1951, vergonhosamente, ainda aguarda uma oportunidade para sair das gavetas do esquecimento. Nele, o autor cuidadosamente traça a origem das principais famílias da capital da Espinharas, revivendo, numa linguagem bem trabalhada, importantes fatos históricos de sua terra natal, que precisam ser de domínio público, para que possam corrigir algumas versões distorcidas da história patoense, tão rica, mas tão desvalorizada.

Em 1983, quando do centenário de nascimento de Alfredo Lustosa Cabral, seus familiares mandaram celebrar uma missa na Catedral de Nossa Senhora da Guia, que contou com grande participação popular. A esse ofício sagrado, compareceram muitos de seus ex-alunos. No convite para o referido ato litúrgico, distribuído pela família, lia-se: “a lembrança do passado não é outra coisa, senão que a revigoração do amor”.

No ano seguinte, por iniciativa do ex-deputado Otacílio Queiroz, o Centro Gráfico do Senado Federal, publicou a segunda edição do livro ‘Dez Anos no Amazonas’, com apresentação do senador Jorge Kalume, que emitiu a seguinte opinião, a respeito do professor Alfredo Lustosa: “soube ser ímpar quer como desbravador do noroeste do meu Estado, o Acre, quer como humilde professor primário e finalmente como cirurgião-dentista” e “seu depoimento, escrito com a simplicidade peculiar à sua marcante personalidade, contribuiu para opulentar a história de uma fase que ficaria omissa, se a memória privilegiada do autor não estivesse grafada para a posteridade (…)”.

Por sua capacidade de trabalho comprovada por tantas vezes e por tantos modos, o nome de Alfredo Lustosa Cabral constitui uma página especial na história da cidade Patos. Homem de ação e de visão, sobre ele, pode-se também dizer que “deixou a vida como um justo, um digno, e por isso mesmo, continua, espiritualmente, vivendo no aconchego da família, na estima dos amigos, que o lembram com saudade e na veneração de sua cidade, onde viveu como um ilustre participante de sua vida social, política e cultural, ajudando-a”.

 

 

 

01.01.01.02.01  
10.01.00.00.00 – Anatildes Lustosa Cabral (faleceu solteira)
   
01.01.01.02.01  
10.02.00.00.00 – Maria Nazaré Lustosa Cabral
   
01.01.01.02.01  
10.03.00.00.00 – Benedito Lustosa Cabral
  Esposa: Odete Malett Lustosa Cabral
  Filhos:    Francisco e Rosana
   
01.01.01.02.01  
10.04.00.00.00 – José Tomás Lustosa Cabral
  Esposa: Sueli Iruyo Hirai Cabral
  Filha:      Eliane Hirai Lustosa Cabral
01.01.01.02.01  
10.04.01.00.00 – Eliane Hirai Lustosa Cabral
  Esposo: Silvio Larocca Paiva Jr.
  Filha:      Beatriz
01.01.01.02.01  
10.05.00.00.00 – Francisca Lustosa Cabral
   
01.01.01.02.01  
10.06.00.00.00 – Pedro Lustosa Cabral
  Esposa: Maria Délivrance Marques (Filha de Antônio Marques de Medeiros e
                Maria Gil de Medeiros)
  Filhos:   Virgílio